O Arcebispo de Nampula, Dom Inácio Saure, manifestou-se duramente contra declarações recentes de Henriques Naweka, Secretário Provincial da ACLLIN (Associação dos Combatentes da Luta de Libertação Nacional), que afirmou que “a FRELIMO só sairá do poder na segunda vinda de Jesus Cristo”. Para o líder católico, tais palavras constituem “um autêntico insulto a Jesus Cristo” e representam um uso abusivo da fé cristã para fins políticos.
Em entrevista à Rádio e Televisão Encontro, Dom Inácio mostrou-se visivelmente indignado, sublinhando que a declaração banaliza um dos pilares centrais da fé cristã a segunda vinda de Cristo e tenta manipular simbolismos religiosos para perpetuar uma narrativa partidária. “Cristo sempre foi e continuará a ser insultado. Esta afirmação não é apenas uma ridicularização da pessoa de Jesus Cristo, mas também revela a ausência de consciência do próprio autor”, declarou o arcebispo.
Dom Inácio aproveitou ainda para fazer uma reflexão crítica sobre o papel da FRELIMO na história de Moçambique. Contrariando a versão oficial que atribui exclusivamente ao partido no poder a expulsão do colono português, o arcebispo afirmou que a independência foi resultado de negociações e acordos e não apenas de uma conquista armada.
Mais de 50 anos depois da independência, o líder da Igreja Católica em Nampula lamenta que os moçambicanos ainda vivam “numa constante insegurança, num ambiente de sangue e medo”, referindo-se implicitamente à situação em Cabo Delgado e a outras crises que afetam o país.
A declaração de Dom Inácio marca um raro momento de confronto direto entre a hierarquia da Igreja e figuras ligadas ao poder político, trazendo ao debate público questões de fé, ética e o papel das instituições na construção de um país mais justo e seguro.

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