A crise interna na Renamo conheceu um novo capítulo com o anúncio, por parte de ex-guerrilheiros do partido, da realização iminente de uma reunião nacional, ainda sem data nem local definidos. A iniciativa, segundo analistas políticos, demonstra claramente a perda de autoridade de Ossufo Momade dentro da organização, ao ponto de antigos combatentes se sentirem legitimados para convocar encontros de carácter nacional à revelia da liderança formal.
A crescente insatisfação deve-se, em grande parte, à fraca prestação do partido nas últimas eleições gerais, situação que muitos membros atribuem à liderança de Momade. Segundo fontes internas, o líder nunca demonstrou capacidade para conduzir a Renamo com o mesmo carisma e firmeza do falecido Afonso Dhlakama. A ausência de uma autocrítica após a derrota eleitoral e a falta de um processo inclusivo de diálogo com as bases agravaram ainda mais o descontentamento interno.
Diversas vozes acusam Ossufo Momade de manter-se no cargo apenas por conveniência, ignorando o desgaste da sua liderança e os apelos à renovação. Para alguns, a sua permanência à frente da Renamo representa um perigo para a sobrevivência política do partido, que tem vindo a perder espaço e influência no cenário político nacional. A convocação de uma reunião nacional poderá definir o futuro da Renamo e de Momade na política moçambicana.

0 Comentários